terça-feira, 19 de julho de 2005

Contador de visitas


Adicionei um contador de visitas ao blog - está aí do lado esquerdo, em baixo. A ver se, afinal, sempre pára aqui alguém ou não!

Como é a primeira vez que uso uma coisa destas, agradeço comentários e sugestões. ;-)

Este contador é fornecido pela www.statcounter.com.


Actualização (23 Set. 2005): Este contador estava a originar um estranho fenómeno com o Miscrosoft Internet Explorer 6: impedia que se "rolasse para baixo" (scroll down) do conteúdo que estivesse abaixo do contador. Ou seja, só era visível a parte do blog que estava situada acima do contador.
Note-se que este fenómeno (que não consegui resolver) não acontecia com o Mozilla Firefox, com o qual o contador foi inicialmente testado. No entanto, como o MSIE ainda é o browser mais usado...
Assim, passei o contador para o fundo da página, depois de todos os artigos, isto logo uns poucos dias depois...

Actualização 21 Mar. 2006:
Para mais informações sobre o contador, ver o artigo "Mais de 1000 visitas!"

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Suavizando...

Na última entrada de Junho, fui um tanto ou quanto... cáustico, por assim dizer, sobre a APDP. E para cúmulo, apelei à paz no artigo anterior a esse (de 20 do mesmo mês)! Por isso, em nome da coerência(!), tentemos então "suavizar" a coisa, tentando descortinar a razão de ser da palavra "Protectora" na denominação da APDP.
Retiramos a seguinte citação da página da APDP, na secção "A APDP -> Resenha Histórica":
"Em Portugal, a luta contra a diabetes está desde o início ligada à Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. O seu fundador, Ernesto Roma, acabara de concluir um estágio de especialização nos Estados Unidos da América, tendo aí tido a felicidade de assistir aos primeiros ensaios clínicos nos quais, pela primeira vez se administrou a insulina, recentemente descoberta, no tratamento dos diabéticos tipo 1. Ficou tão impressionado com os excelentes resultados obtidos que logo em 1926 fundou em Lisboa aquela que viria a ser a primeira Associação de Diabéticos do mundo, a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, com o objectivo primeiro de fornecer insulina gratuita aos diabéticos indigentes.
(...)
Simultaneamente, alertava-se a população para a importância da integração das pessoas com diabetes, na sociedade, sem discriminações sociais e/ou profissionais.
(...)

Em 1973 alterou o seu nome de Associação Protectora dos Diabéticos Pobres para um nome mais consentâneo com a verdadeira vocação da Instituição, com a sua modernização e desenvolvimento e com a nova realidade do país: ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL – PORTUGUESE DIABETES ASSOCIATION.

De uma Associação com fins essencialmente caritativos e filantrópicos, a APDP transformou-se numa instituição de saúde moderna, de referência, sendo simultaneamente uma Associação vocacionada para a defesa dos direitos dos diabéticos e para uma correcta integração das pessoas diabéticas na sociedade e uma Clínica prestadora de cuidados médicos integrados e diferenciados ao doente diabético, sem descurar os aspectos formativos e de investigação inerentes à excelência dos serviços prestados."

Do citado conclui-se:
1. O nome da associação explica-se pela época em que surgiu, 1926. Nessa altura, os actuais tratamentos por injecção de insulina começavam a dar os primeiros passos, surgindo pela primeira vez uma hipótese de fuga ao destino de uma morte em atroz agonia.
Surge assim o termo "Protectora" aliado a "Pobres", podendo-se talvez associar os dois termos àquilo que ainda hoje se refere como a "protecção dos mais desfavorecidos".
2. Pode-se também deduzir que, devido ao desconhecimento, desconfiança e mesmo medo generalizados a propósito dos diabetes, nesse tempo, havia uma necessidade de (re)integrar os diabéticos na sociedade, uma vez que era agora possível viverem uma vida "normal". Para isso, seria contudo necessário combater a estranheza dos não-diabéticos às injecções de insulina e a outros cuidados que a doença exigia.
3. Em 1973 o nome da associação foi alterado, abandonando-se o termo "Diabéticos Pobres" em favor de "Diabéticos de Portugal", o que permite alargar o âmbito de acção declarado da associação, e, simultaneamente, manter a sigla original: APDP. Interessante também que, na tradução do nome da associação para inglês, se tenha abandonado igualmente o termo "Protectora": Portuguese Diabetes Association.

Resumindo: A APDP é "protectora" dos diabéticos por motivos históricos e porque optou por alterar a sua denominação, sem alterar a sigla da mesma... O que ainda assim é estranho, mas... de longe não tão mau como a minha entrada anterior poderia ter dado a entender!
E alguém tinha que fazer a pergunta, para eu poder responder! E à falta de alguém para realizar a primeira tarefa, tive que ser eu a fazer as duas!
Estarei eu a ser redundante, impertinente talvez? Ora bolas!

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Voltando aos diabetes - a APDP

A APDP (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal) é uma... Ei! Esperem lá! Associação Protectora?! PROTECTORA?! Mas então os diabéticos precisam de protecção (extra)?!!! Pensava que só precisavamos de insulina!!! Pronto, ok, eu sei, alguns só precisam mesmo é de EXERCÍCIO FÍSICO correspondente aos hidratos de carbono que ingerem (brincadeirinha meio séria)... Agora... PROTECÇÃO?! É, sem dúvida, fantástico!
Sinceramente, o que significa uma associação dedicada aos portadores de uma doença - seja ela qual for - advogar-se como "protectora" dos mesmos? Serão os diabéticos alguma espécie de flor de estufa que precisa de protecção contra agressões externas? Seremos nós particularmente agredidos, discriminados, marginalizados e outros "dos" pela sociedade em que vivemos? Seremos nós incapazes de nos defender dessas agressões por nós mesmos? Seremos nós os oprimidos entre os oprimidos? Os fracos mais fracos no fundo da cadeia alimentar? Incapazes?
Não, a sério, conhecem mais alguma associação, dedicada a uma doença, que se intitule "protectora" dos portadores da mesma? Eu, sinceramente não conheço. Lembro-me, assim de repente, da Associação Protectora dos Animais... Não que eu tenha a mania da superioridade da espécie humana, mas o facto é que esses não têm voz... Quero dizer, não têm representação política na nossa democracia... se é que me faço entender...

:-)

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Ainda sobre a verdade científica...

... será a paz possível? Poderemos ter esperança?


"Tenho uma pergunta para lhe fazer," disse ele, tirando do bolso um pedaço de papel amarrotado, no qual ele tinha escrito algumas palavras-chave. Fez uma pausa para respirar: "Acredita na realidade?"

"Mas é claro!" ri-me. "Que pergunta! É a realidade algo em que se precise de acreditar?"

(...)

Ele era um psicólogo muito respeitado, e tinhamos ambos sido convidados pela Fundação Wenner-Grenn para uma reunião contituída por dois terços de cientistas e um terço de "cientistas da ciência" ["science students"]. Esta divisão, só por si, anunciada pelos organizadores, deixou-me perplexo. Como podíamos nós ser atirados para alguma arena contra os cientistas? O facto de estudarmos uma área não significa que a estejamos a atacar. Serão os biólogos anti-vida, os astrónomos anti-estrelas, os imunologistas anti-anticorpos? Além disso, eu tinha ensinado durante vinte anos em faculdades de ciências, tinha escrito regularmente para revistas científicas, eu e os meus colegas tinhamos vivido da investigação financiada, desenvolvida em nome de muitos grupos de cientistas na Indústria e na Universidade. Não era eu um membro da comunidade científica formal francesa? Sentia-me ou pouco vexado por ser excluído assim tão casualmente. É claro que eu sou apenas um filósofo, mas o que diriam os meus amigos nos Estudos da Ciência? A maior parte deles tiveram formação científica, e muitos deles, pelo menos, têm orgulho em alargar a visão científica à própria ciência. Eles poderiam ser rotulados como membros de outra disciplina ou outros sub-tema, mas certamente que não como "anti-cientistas" encontrando-se a meio caminho com cientistas, como se os dois grupos fossem exércitos inimigos, conferenciando sob o auspício de uma bandeira de tréguas antes de voltarem ao campo de batalha!"

(minha tradução de uma parágrafo do original em inglês: Bruno Latour, "Do You Believe In
Reality?", in Pandora's Hope, Essays on the Reality of Science Studies, Cambridge MA, Harvard University Press, 1999), pp. I-23)

Bem, se o blog do Murcon se recomendava (pela sua qualidade e agradabilidade), a leitura do texto completo do qual aqui cito apenas um parágrafo... é FUNAMENTAL!!!
Divirtam-se!

terça-feira, 31 de maio de 2005

Sobre a verdade científica

Pois é, lembrei-me de visitar este meu blog, a ver se me apetecia escrever algo, e... fiz primeiro um desvio pelos e-mails, encontrei um que referia o Murcon. Uma pesquisa no Google, e eis que encontro um blog (o tal do Murcon) onde podemos, entre outros, apreciar o seguinte artigo (aqui em versão
"censurada"):

"Jacob, prémio Nobel da Medicina em 1965: "A Biologia perdeu hoje muitas das suas ilusões. Já não procura a verdade. Constrói a sua. (...)"
(...)
A vontade do Senhor foi substituída pela normalidade científica, contra a qual também se pode "pecar". Vejamos como existe hoje em dia um discurso médico que nos torna responsáveis por tudo o que de mau possa acontecer se não seguirmos o "correcto" estilo de vida. Da salvação eterna da alma passámos ao prolongamento da vida do corpo e em verdade vos digo que alguns médicos assistentes estão menos dispostos a perdoar do que muitos confessores, seguros como estão das suas verdades:).
(...)"
(Texto original)

Ora, era mesmo disto que eu falava no primeiro post... Obviamente, este blog pretende ir mais longe que isto! Muito mais longe! Eu depois aviso, quando ele tiver ido...


P.S.: O blog do Murcon recomenda-se... Quiçá até descubram que é mais familiar do que pensavam... Ou seria eu o único na ignorância?