quinta-feira, 4 de agosto de 2005

História da diabetes

Parece que não tem havido visitas por aqui, mas vou insistir...
Cá vai então um resumo histórico do que se foi sabendo sobre a diabetes. Este resumo baseia-se (é quase uma cópia integral, que eu apenas completei com informações da net, onde faltavam os dados) numa apresentação sobre o tema, feita no Hospital de S. Marcos, em Braga, em 2003. Comentários numa próxima oportunidade... Pata já, cá vai a História:

1550 A.C. - Egipto - Papiro de Ebers (descoberto em 1868):
Descrição de uma doença estranha, cujo principal sintoma era vontade permanente de urinar.

1500 A.C. - Índia – As formigas:
Escritos hindus antigos descreviam pessoas com uma doença mortal que causava sede intensa, uma quantidade excessiva de urina e emagrecimento do corpo. Constatavam os antigos uma enorme atração das formigas pela urina das pessoas que desenvolviam essa misteriosa doença. Mas... como tratá-la?

1000 A.C. - Grécia – Cataplasmas e cavalos:
Durante anos ninguém sabia como tratar a doença que hoje chamamos diabetes. As crianças morriam rapidamente e os adultos lutavam com complicações devastadoras. Tentavam-se alguns remédios à base de ervas, cataplasmas para os rins e alguns médicos recomendavam exercício físico, preferencialmente a cavalo para “uma fricção moderada e aliviar o excesso de urina.”.

200 A.C. - Areteus de Cappadocia:
“A Diabetes é uma doença invulgar e intrigante. Os doentes sofrem uma sede insaciável, mas urinam ainda mais do que bebem. Isto, porque a carne e os membros se fundem e desfazem em urina. A emaciação cedo se torna severa e a morte sobrevém rapidamente, após uma vida dolorosa e miserável.”

1889 - Oscar Minkowski e Baron de Mering:
Descobriram no pâncreas a causa dos diabetes, pois após a sua remoção, cães, até aí normais, apresentaram os sintomas da doença.

1921- Banting e Best - Descoberta da insulina
Nesta data tiveram sucesso na redução da glicose numa cadela diabética pancreatectomizada.

1922 - Leonard Thompson:
Primeiro diabético no mundo tratado com insulina.

1944 – Primeiros anti-diabéticos orais.

terça-feira, 19 de julho de 2005

Contador de visitas


Adicionei um contador de visitas ao blog - está aí do lado esquerdo, em baixo. A ver se, afinal, sempre pára aqui alguém ou não!

Como é a primeira vez que uso uma coisa destas, agradeço comentários e sugestões. ;-)

Este contador é fornecido pela www.statcounter.com.


Actualização (23 Set. 2005): Este contador estava a originar um estranho fenómeno com o Miscrosoft Internet Explorer 6: impedia que se "rolasse para baixo" (scroll down) do conteúdo que estivesse abaixo do contador. Ou seja, só era visível a parte do blog que estava situada acima do contador.
Note-se que este fenómeno (que não consegui resolver) não acontecia com o Mozilla Firefox, com o qual o contador foi inicialmente testado. No entanto, como o MSIE ainda é o browser mais usado...
Assim, passei o contador para o fundo da página, depois de todos os artigos, isto logo uns poucos dias depois...

Actualização 21 Mar. 2006:
Para mais informações sobre o contador, ver o artigo "Mais de 1000 visitas!"

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Suavizando...

Na última entrada de Junho, fui um tanto ou quanto... cáustico, por assim dizer, sobre a APDP. E para cúmulo, apelei à paz no artigo anterior a esse (de 20 do mesmo mês)! Por isso, em nome da coerência(!), tentemos então "suavizar" a coisa, tentando descortinar a razão de ser da palavra "Protectora" na denominação da APDP.
Retiramos a seguinte citação da página da APDP, na secção "A APDP -> Resenha Histórica":
"Em Portugal, a luta contra a diabetes está desde o início ligada à Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. O seu fundador, Ernesto Roma, acabara de concluir um estágio de especialização nos Estados Unidos da América, tendo aí tido a felicidade de assistir aos primeiros ensaios clínicos nos quais, pela primeira vez se administrou a insulina, recentemente descoberta, no tratamento dos diabéticos tipo 1. Ficou tão impressionado com os excelentes resultados obtidos que logo em 1926 fundou em Lisboa aquela que viria a ser a primeira Associação de Diabéticos do mundo, a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, com o objectivo primeiro de fornecer insulina gratuita aos diabéticos indigentes.
(...)
Simultaneamente, alertava-se a população para a importância da integração das pessoas com diabetes, na sociedade, sem discriminações sociais e/ou profissionais.
(...)

Em 1973 alterou o seu nome de Associação Protectora dos Diabéticos Pobres para um nome mais consentâneo com a verdadeira vocação da Instituição, com a sua modernização e desenvolvimento e com a nova realidade do país: ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL – PORTUGUESE DIABETES ASSOCIATION.

De uma Associação com fins essencialmente caritativos e filantrópicos, a APDP transformou-se numa instituição de saúde moderna, de referência, sendo simultaneamente uma Associação vocacionada para a defesa dos direitos dos diabéticos e para uma correcta integração das pessoas diabéticas na sociedade e uma Clínica prestadora de cuidados médicos integrados e diferenciados ao doente diabético, sem descurar os aspectos formativos e de investigação inerentes à excelência dos serviços prestados."

Do citado conclui-se:
1. O nome da associação explica-se pela época em que surgiu, 1926. Nessa altura, os actuais tratamentos por injecção de insulina começavam a dar os primeiros passos, surgindo pela primeira vez uma hipótese de fuga ao destino de uma morte em atroz agonia.
Surge assim o termo "Protectora" aliado a "Pobres", podendo-se talvez associar os dois termos àquilo que ainda hoje se refere como a "protecção dos mais desfavorecidos".
2. Pode-se também deduzir que, devido ao desconhecimento, desconfiança e mesmo medo generalizados a propósito dos diabetes, nesse tempo, havia uma necessidade de (re)integrar os diabéticos na sociedade, uma vez que era agora possível viverem uma vida "normal". Para isso, seria contudo necessário combater a estranheza dos não-diabéticos às injecções de insulina e a outros cuidados que a doença exigia.
3. Em 1973 o nome da associação foi alterado, abandonando-se o termo "Diabéticos Pobres" em favor de "Diabéticos de Portugal", o que permite alargar o âmbito de acção declarado da associação, e, simultaneamente, manter a sigla original: APDP. Interessante também que, na tradução do nome da associação para inglês, se tenha abandonado igualmente o termo "Protectora": Portuguese Diabetes Association.

Resumindo: A APDP é "protectora" dos diabéticos por motivos históricos e porque optou por alterar a sua denominação, sem alterar a sigla da mesma... O que ainda assim é estranho, mas... de longe não tão mau como a minha entrada anterior poderia ter dado a entender!
E alguém tinha que fazer a pergunta, para eu poder responder! E à falta de alguém para realizar a primeira tarefa, tive que ser eu a fazer as duas!
Estarei eu a ser redundante, impertinente talvez? Ora bolas!

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Voltando aos diabetes - a APDP

A APDP (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal) é uma... Ei! Esperem lá! Associação Protectora?! PROTECTORA?! Mas então os diabéticos precisam de protecção (extra)?!!! Pensava que só precisavamos de insulina!!! Pronto, ok, eu sei, alguns só precisam mesmo é de EXERCÍCIO FÍSICO correspondente aos hidratos de carbono que ingerem (brincadeirinha meio séria)... Agora... PROTECÇÃO?! É, sem dúvida, fantástico!
Sinceramente, o que significa uma associação dedicada aos portadores de uma doença - seja ela qual for - advogar-se como "protectora" dos mesmos? Serão os diabéticos alguma espécie de flor de estufa que precisa de protecção contra agressões externas? Seremos nós particularmente agredidos, discriminados, marginalizados e outros "dos" pela sociedade em que vivemos? Seremos nós incapazes de nos defender dessas agressões por nós mesmos? Seremos nós os oprimidos entre os oprimidos? Os fracos mais fracos no fundo da cadeia alimentar? Incapazes?
Não, a sério, conhecem mais alguma associação, dedicada a uma doença, que se intitule "protectora" dos portadores da mesma? Eu, sinceramente não conheço. Lembro-me, assim de repente, da Associação Protectora dos Animais... Não que eu tenha a mania da superioridade da espécie humana, mas o facto é que esses não têm voz... Quero dizer, não têm representação política na nossa democracia... se é que me faço entender...

:-)

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Ainda sobre a verdade científica...

... será a paz possível? Poderemos ter esperança?


"Tenho uma pergunta para lhe fazer," disse ele, tirando do bolso um pedaço de papel amarrotado, no qual ele tinha escrito algumas palavras-chave. Fez uma pausa para respirar: "Acredita na realidade?"

"Mas é claro!" ri-me. "Que pergunta! É a realidade algo em que se precise de acreditar?"

(...)

Ele era um psicólogo muito respeitado, e tinhamos ambos sido convidados pela Fundação Wenner-Grenn para uma reunião contituída por dois terços de cientistas e um terço de "cientistas da ciência" ["science students"]. Esta divisão, só por si, anunciada pelos organizadores, deixou-me perplexo. Como podíamos nós ser atirados para alguma arena contra os cientistas? O facto de estudarmos uma área não significa que a estejamos a atacar. Serão os biólogos anti-vida, os astrónomos anti-estrelas, os imunologistas anti-anticorpos? Além disso, eu tinha ensinado durante vinte anos em faculdades de ciências, tinha escrito regularmente para revistas científicas, eu e os meus colegas tinhamos vivido da investigação financiada, desenvolvida em nome de muitos grupos de cientistas na Indústria e na Universidade. Não era eu um membro da comunidade científica formal francesa? Sentia-me ou pouco vexado por ser excluído assim tão casualmente. É claro que eu sou apenas um filósofo, mas o que diriam os meus amigos nos Estudos da Ciência? A maior parte deles tiveram formação científica, e muitos deles, pelo menos, têm orgulho em alargar a visão científica à própria ciência. Eles poderiam ser rotulados como membros de outra disciplina ou outros sub-tema, mas certamente que não como "anti-cientistas" encontrando-se a meio caminho com cientistas, como se os dois grupos fossem exércitos inimigos, conferenciando sob o auspício de uma bandeira de tréguas antes de voltarem ao campo de batalha!"

(minha tradução de uma parágrafo do original em inglês: Bruno Latour, "Do You Believe In
Reality?", in Pandora's Hope, Essays on the Reality of Science Studies, Cambridge MA, Harvard University Press, 1999), pp. I-23)

Bem, se o blog do Murcon se recomendava (pela sua qualidade e agradabilidade), a leitura do texto completo do qual aqui cito apenas um parágrafo... é FUNAMENTAL!!!
Divirtam-se!