Hesitei um bocado antes de publicar este artigo. Penso que vai perturbar alguém que eu não queria perturbar, muito menos neste momento.
Mas lá terá que ser... Pelo meio do artigo pretendo "justificar" esta minha decisão. Pode não ser uma boa justificação, mas é a minha "razão" (parte dela) para arriscar perturbar essa pessoa.
Há uns seis anos e três meses atrás (mais uns dias), uns seis meses depois de "largar" a cocaína... veio a passagem de ano de 1999 para 2000 (também conhecida como "passagem do milénio", embora haja quem tenha defendido que essa foi de 2000 para 2001... Enfim, seja como for, já foi...).
Foi uma passagem de ano em que bebi, fumei haxixe, marijuana e uma passazinha de rebolau (cocaína misturada com heroína - tem piada nem ter contabilizado isto nas minhas recaídas na cocaína, foi tão pouco, em si e em contabilização comparativa com as outras drogas que tomei nessa noite), e também tomei ecstasy (meia pastilha, uma pastilha, pastilha e meia, já não me lembro)...
Um cocktail jeitoso... Junte-se-lhe hipoglicemias pelo meio - não é uma droga, mas será certamente um "estado alterado de consciência", por assim dizer...
Nessa noite, houve um acontecimento muito, mas mesmo muito forte... Telepatia! LOL! Enfim... Não é que fosse "novidade"... Mas eu sempre achara que não passava de imaginação minha... Um entretenimento dos meus neurónios... De certa forma, também uma forma de eu lidar com as pessoas... Com aquelas situações em que, por um motivo ou outro, as coisas não são ditas... Mas não fazia fé na realidade da coisa... Era uma espécie de "auto-terapia" ou coisa assim... Mas nessa noite... senti a coisa como real, muito real, demasiado, dolorosamente e angustiantemente real.
NOTE-SE: Isto NÃO me tornou um crente na telepatia, nem me fez esquecer que, mesmo a existir a dita, poderá haver sempre momentos em que a coisa não passa mesmo de imaginação nossa. Mais, se a coisa é "telepatiada", mas não dita, haverá alguma razão... Tanto mais quanto a coisa é negada pela experiência sensível (dos cinco sentidos). Mas, nessa noite, tive inclusive confirmação telepatia/oralidade, numa conversa em que se ia alternando de um tipo de comunicação para o outro, mantendo o tema da conversa, inclusive fazedo perguntas num tipo de comunicação e obtendo as respsota no outro... Se isto já vos perturba, que não era a isto que me referia no início, pensem apenas: "O DMC estava era a alucinar! Lá sabe ele ou se lembra do que realmente aconteceu!" Correctíssimo!
Continuando... Nos três dias e noites seguintes, não dormi um minuto! Não, não é que eu estivesse tão acelerado ou nervoso que não conseguisse - quer dizer, não assim linearmente... Além do choque da realidade da telepatia, eu sentia-me possuído! Não dessa forma estúpida à exorcista (o filme ou os que por aí andam a fazer dinheiro e/ou juntar fiéis - embora haja alguns que tenham uma influência positiva sobre o/a "possuído/a", mas isso é outra conversa!). Mas eu sentia que o meu corpo queria fazer coisas sem o meu controlo, consentimento ou sequer aviso... Foi uma luta imensa contra... mim mesmo?!... Sei lá! Eu queria era morrer! Mas tinha medo! Tinha medo daquilo que tinha dentro de mim! De repente, desde a "telepatia", as fronteiras do mundo físico tinham-se violentamente eclipsado... O que era aquilo dentro de mim? O que aconteceria se eu morresse? Morreria a coisa comigo? Ou libertar-se-ia?! UM FILME DAQUELES!!!! Eu também não tinha propriamente vontade de morrer... Simplesmente, já não aguentava mais... Três dias e três noites sem dormir dá cabo de qualquer um... Três dias e três noites sem dormir, numa guerra daquelas... Nem queiram saber!
Solução: O ecstasy, pleo menos em mim, provocava dois efeitos principais: a) incrível aceleração mental e física, e b) um amor estupidamente "infinito", a gente quer ser, correcção, a gente é amigo de toda a gente! "Ok, ok... a) O meu corpo já não aguenta... o ecstasy dá-me a energia de que preciso... b) Eu tenho medo de fazer mal a alguém... o ecstasy dá-me amor..." Tomei meia pastilha que me tinha sobrado, e, meio a medo... lá consegui adormecer! Umas boas horinhas...
Toda esta história não são senão circunstâncias daquilo que eu realmente queria contar... Mas penso que, por agora, já é dose suficiente para a maior parte dos/as meus/inhas leitores/as...
Continuarei talvez depois.