sábado, 8 de outubro de 2005

Avaliação do Grau de Incapacidade (Retinopatia)

A minha retinopatia já me foi diagnosticada há mais de um ano, mas para resumir a história, na Segunda-feira passada, foi este o veredicto do oftalmologista:
0% de visão no olho esquerdo!
40% de visão no olho direito!
Há aqui uns pormenores a considerar (p.e., o olho esquerdo ainda se apercebe de que lado vem determinada luz...)., mas para já, vamos ao assunto deste artigo:

Segundo a Tabela Ncional de Incapacidades (TNI) causadas por acidentes de trabalho, os referidos valores dar-me-iam um grau de incapacidade de 45% de incapacidade (i.e. os meus ojhos funcionarão a ãpenas 55% do normal).
No entanto, aqui, a "barreira" é normalmente os 60% (para fins de subsídios, vagas de emprego, etc), i.e., a ver apenas 40%.... (no meu caso, que é "ver").
No entanto, mais uma vez, a TNI é usada como" indicadora " do grau de incapacidade, mas espera-se algum bom senso, p0r assim dizer, da parte de quem avalia. Aliás, não é o oftalmologiasta quem faz a avaliação (legalmente válida), mas sim um junta médica convocada para o efeito. No entanto, para requerermos essa avaliação da junta médica, é preciso um atestadop do médico a dizer que somes defs... Santa Burocracia!
Dexei o decreto-ei com uma notazinha ao oftalmologista na Sexta, e espero ir buscar o dito atestado médico para poder fazer a o requerimento a quem comete (no caso, o Delegado Reginonal de Saúde, mas o mesmo é entregue ao subdirectr-geral... Vou então buscar o papelucho amanãi.

Legislação:
- Decreto-Lei n.o 202/96 de 23 de Outubro (Competências, Processo de avaliação, ...);
- Lei n.o 9/89, de 2 de Maio—Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência;
- Decreto-Lei n.o 341/93, de 30 de Setembro, aprova a TNI.

CORRECÇÃO (14 Out. 2005):
A Lei 9/98 de 2 de Maio já foi substituída pela seguinte:
- Lei n.º 38/2004, de 18 de Agosto.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

CORRECÇÕES AO BLOG!!

No artigo de 23 de Agosto, sobre os tipos de diabetes, pus-me, numa de pedagogia, a dar uma breve explicação sobre os tipos de diabetes... E ERREI! Prestei falsas informações, e por isso peço desculpa.
No meu entender, não era muito preocupante o rigor do que dizia, pois apenas quis distinguir a diabetes tipo 1 (da qual falei bem, ou quase!) da tipo 2, muito mais comum (90%) e à pala da qual, nós "minoritários" estamos, volta-e-meia-meia-volta, a aturar o que não tem nada conosco. Não que os diabéticos tipo 2 tenham obrigação de aturar seja quem for, mas para um tipo 1 é ainda mais chato... E além disso... este blog ainda nem começou!
De qualquer forma, e uma vez que podem cá "chover" pessoas à procura de informação sobre diabetes, particularmente 2, achei correcto prestar-lhes(vos) a informação masi correcta posível, mesmo que pouca...

Actualização (23 Set. 2005): Também actualizadas informações sobre o Contador de visitas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

A revista Lancet e a homeopatia

No mesmo dia em que publiquei a primeira entrada sobre a molécula associada à retinopatia (26/08), a TSF anunciava que a revista Lancet publicara um artigo que afirmava que os medicamentos homeopáticos não funcionam - ou que terão apenas um efeito placebo.

Não nos é facultada a leitura integral do texto, sem uma subscrição paga da revista. Por isso, cá vai o que se pode "sacar" do resumo acessível ao grande público, assim como do que é adiantado pela TSF.

Para o estudo, compararam-se três grupos de pessoas com asma e/ou(?) alergias. Um dos grupos foi tratado com medicamentos homeopáticos, outro com medicamentos "convencionais" (ou alopáticos), e ainda um terceiro que recebeu apenas placebos, para efeitos de comparação.
A conclusão dos investigadores é a de que os medicamentos homeopáticos têm um efeito análogo ao dos placebos. Já os medicamentos convecionais mostraram ter um "efeito importante e duradouro".

Não sou nenhum perito em homeopatia (sei, aliás, muito pouco sobre o assunto), mas duvido que os investigadores em questão tenham também a devida preparação nesta abordagem médica...
De facto, não são apenas os medicamentos que mudam entre tratamentos homeopáticos e alopáticos. Se não viram ainda as definições destas, aconselho-vos a darem agora uma vista de olhos... É só "clicar" nos links... A informação que a Wikipedia fornece sobre a Homeopatia é bastante extensa, mas levanta questões muito interessantes - talvez volte a isto um dia destes!
Entre outros conceitos interessantes é o que opõe o tratamento "pelos efeitos contrários" da Alopatia ao tratamento "pelos efeitos semelhantes" da Homeopatia. Esta ideia pode parecer estranha, mas assemelha-se muito à da vacinação, embora num sentido muito mais abrangente que esta.
Outra ideia interessante da homeopatia é a recusa da "especialização" e do "organicismos" e a maior aposta no paciente como um todo integrado.

A abordagem homeopática é radicalmente diferente da abordagem da medicina tradicional. E não me parece que seja fácil comparar medicamentos, isoladamente das abordagens terapeuticas subjacentes.

Conhecimentos científicos à parte, a dificuldade de acesso ao saber médico (alopático), e a forma como o mesmo tira conclusões genéricas sobre estudos particulares deixa muito a desejar... Já a forma como alguns médicos alopatas ditam verdades não deixa nada a desejar! São simplesmente inadmissíveis!

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Links

Comecei a introduzir uns links aí à esquerda. Para já é só uma mão cheia, à experiência.
Alguns são leituras recomenadadas, outros informação de base, ainda outros curiosidades e finalmente, os que ainda nem eu próprio vi direito!
Mas suponho que se orientem pelo título...

Decidi assinalar os blogs, com a palavra BLOG... Eu sou um génio!
E achei também que seria boa ideia indicar a língua em que se encontra a página indicada. Comecei por "sufixar" o nome do site, usando a típica nomenclatura internacional, de duas letras:
de - Alemão
en - Inglês
es - Espanhol
fr - Francês
pt - Português
etc
Mas como isso é uma trabalheira mais ou menos (!) e, como a maior parte dos sites já indicam, pelo nome, qual a sua língua... Mas prontos, há aqueles que se chamam só "Diabetes"! Por isso, decidi separá-los por línguas, usando "títulos de listas"...

Comentários e sugestões continuam a ser benvindos!!! :-P

domingo, 28 de agosto de 2005

Descoberta molécula associada à retinopatia diabética - 2/2

Li a porcaria, digo... coisa, do artigo completo, o que me levou à constatação de que, na minha última entrada neste blog, eu retirei algumas conclusões que estavam, ao fim e ao cabo, completamente certas. Novidades?

Bem, penso que uma das mais curiosas e importantes é a notícia de que, tanto os níveis de erythropoietin como os de VEGF aumentam nas pessoas com retinopatia diabética, mas... Segundo o Dr. Lloyd Paul Aiello[1], a “acção [da erythropoietin] é independente da da VEGF”.

Não tenho muitas certeza quanto à interpretação mais exacta desta citação. Quererá o bom doutor dizer que os aumentos de erythropoietin e de VEGF são independentes um do outro. Ou apenas que os efeitos de uma e da outra molécula são diferentes? Esta última hipótese tornaria esta afirmação numa redudância sem sentido nem utilidade (uma vez que já nos foi dito que as funções, logo os efeitos, das células são distintos. Num sentido um cadinho mais rebuscado – uma figura de estilo, afinal – o Dr. Aiello estaria apenas a afirmar que as causas do aumento daquelas duas substâncias eram diferentes de uma para a outra. “Todo o efeito tem uma causa e toda a causa é um efeito.” ou coisa assim....

Aposto mais na primeia: Ou seja, em teoria, os níveis de erythropoietin poderiam aumentar e estar relacionados com a retinopatia, sem que aumentassem os níveis de VEGF. Da mesma forma poderiam aumentar os níves de VEGF e surgir a retinopatia, sem que houvesse alteração nos níveis de erythropoietin. Isto é interessantíssimo de se ver afirmado, não pela pertinência da afirmação em si, que não discuto, mas pelo espanto que me causa não darem a menor indicação de como chegaram a esta conclusão! Principalmente, tratando-se de algo com tão elevado potencial de paradoxo: há três (3) coisas que coincidem no tempo: i) a retinopatia diabética, ii) o aumento de erythropoietin, iii) o aumento de VEGF. E, no entanto, as duas últimas não têm qualquer relação entre si!

Como chegaram a esta conclusão?! É que os únicos factos, observações empíricas, por assim dizer que o artigo nos dá a conhecer são, precisamente, as coincidências temporais:

i) existência de retinopatia diabética;

ii) aumento dos níveis de erythropoietin;

iii) aumento dos níveis de VEGF.

Esta é a grande descoberta que se conseguiu provar: em pessoas com retinopatia diabética, aumentam os níveis de erythropoietin e de VEGF! Mais nada! O resto são especulações e deduções mais ou menos lógicas! Estas, quando bem feitas, podem ser muito úteis – já dizia o outro, “Não há nada mais prático que uma boa teoria.” Infelizmente, não parece ser esse o caso do artigo a que fazemos referência...

Mas há mais! Esta ainda é mais curiosa e interessante! E se calhar, até passou mais despercebida... ou talvez não! A que me refiro? Obviamente, ao facto de se partir do princípio de que os níveis altos de erythropoietin e de VEGF são causas da retinopatia... MAS QUEM RAIO O DISSE, ----------?! Repito, os factos que temos são os que vimos acima. Essa é que é a grande descoberta! E se é essa a grande descoberta, podem ter a certeza de que ela não é suficiente para dizer que os aumentos daquelas substâncias são causas da retinopatia! Tanto quanto sabemos, esses aumentos podem representar não causas mas sim efeitos da ------ da doença! O facto é que apenas se observou a coincidência temporal daquelas três coisas. Se alguma delas antecede a(s) outra(s), não se sabe. Se é causa ou apenas calhou de vir antes, muito menos (mesmo considerando as óbvias probabilidades). E se alguma antecede a(s) outra(s), não é este estudo que nos diz qual...

Se fosse, essa seria a grande descoberta: a maneira como a erythropoietin despoleta a retinopatia. É que, se no caso da VEGF, a coisa é mais óbvia: o VEGF estimula o crescimento dos vasos sanguíneos que vão obstruir a retina (e assim causar retinopatia), no caso da erythropoietin não há nada! A retinopatia é a obstrução da retina por excesso de vasos sanguíneos! A quantidade de glóbulos vermelhos (ou lá o que for) não tem nada a ver com o caso! Principalmente se a outra premissa apresentada no artigo estiver, afinal, certa, e os aumentos de erythropoietin e de VEGF forem independentes!

E coloca-se a questão: Mas, afinal, o que é a retinopatia?! Bem, já o dissemos: a obstrução da retina pelo excesso de vasos sanguíneos. E então que têm a erythropoietin e os glóbulos vermelhos a ver com o caso?! Bem, já lá iremos!
Para já, penso que é importante estabelecer duas coisas: Segundo o que nos apresenta este estudo:

1. A retinopatia é um sintoma e uma patologia que se caracteriza pela obstrução/destruição[2] da retina por vasos sanguíneos anormalmente numerosos.

2. A relação entre a retinopatia e o aumento de erythropoietin existe... Mas não se conhece a natureza dessa relação!

Lembrar-se-ão, as caríssimas leitoras e os caríssimos leitores, de termos avançado, como causa de tamanha precipitação por parte destes investigadores, alguma espécie de complexo ou mania do herói.

Peço-vos agora que analisem uma hipótese alternativa. Observem as seguintes passagens:

O VEGF ocorrerá em 50 por cento das pessoas com diabetes, a não ser que se faça algo para o prevenir.” Como por exemplo? Vocês nem sabem que raio causa os diabetes, ou parecem não querer saber, tão convencido se mostram de uma relação que nunca demonstraram – e sabendo de antemão o que é a diabetes! Sabem não sabem?1...

““Esta é a primeira vez que se mostrou, com dados extensivos sobre humanos, que a erythropoietin está envolvida na retinopatia diabética.”” disse Aiello. “A sua acção é independente da da VEGF.”” A primeira frase é interessante, mas teria sido mais interessante avaliar uma série de possíveis relações entre a erythropoietin e a retinopatia diabética, em vez dce assumir logo que a primeira era causa da segunda. Não vos parece plausível, p.e., que o aumento de vasos sanguíneo conduza a um aumento da produção/existência dos componentes sanguíneos? Ou vamos ter já uma rede viária sem carros para viajar nela? Mas enfim, o VEGF e a erythropoietin são independentes... Sabe lá Deus porquê, e o Diabo esconde...

Os parágrafos que se seguem naquele artigo, indicam, grosso-modo, que:

1. “A atenção tem sido focada na VEGF. Várias drogas projectadas para bloquearem a sua acção estão em fase avançada de testes (...)

2. “Mas os resultados pré-lcínicos sugerem que a VEGF pode não ser totalmente responsável, e este trabalho, aponta agora para a possibilidade de outra molécula estar independentemente envolvida.” A erythropoietin p.e....

3. “A descoberta abre uma nova área à investigação, disse ele, acrescentando que é preciso desenvolver muito trabalho para ver se a inibição da erythropoietin poderá ter um efeito benéfico.” Pois, isto é algo que me preocupa já há muito na medicina convencional: Muitos de vocês terão tirado as amígdalas... Nesse tempo, não se sabia que elas desempenhavam um papel muito importante na saúde emocional da pessoa – o que, no mundo em que vivemos, também parace não ter muita importência, de qualquer forma... Ainda assim, estou muito contente por manter as minhas amígdalas! :-D

E, claro, não preciso de vos referir a lobotomia, que chegou a ganhar um nobel, pois não?... Continua o artigo: “Uma questão é a segurança de bloquear a erythropoietin numa pessoa com diabetes, já que há estudos que indicam que ela também tem como função proteger a retina em momentos de tensão (...)” Não! Essa coisa só aparece no corpo para chatear! Cada molécula de erythropoietin surge na retina com o único propósito de estragar o olho! Mais nada! -------! Não estamos a falar de um vírus! Estamos a falar de um mecanismo natural do ser humano! Acham que é só encontrar o interruptor e desligar que não há-de ser nada?! Já nasceram parvos ou andam a treinar intensamente ultimamente?! Vá lá! Ainda se conseguiram lembrar do óbvio! Não, a sério! Não vos faz impressão a displicência com que os médicos cortam, tiram, implantam, inibem, controlam, fazem trinta por uma linha – particularmente os investigadores parecem nunca se preocuparem com efeitos secundários!

4. “Este é trabalho pioneiro.(...) E, como todo o trabalho pioneiro, ele tem que ser confirmado por outros, (...) e depois podemos procurar inibidores da erythropoietin.” Sobretudo estes dois últimos pontos (mas não só) levam-me a pensar que talvez não seja fama que estes caramelos anseiam, ams antes dinheiro! Ou talvez mesmo ambos...


[1] O Dr. Lloyd Paul Aiello é o director da secção de investigação ocular no Joslin Diabetes Center, em Boston (EUA), e redigiu um editorial que acompanha o artigo original no New England Journal of Medicine. Ora bolas, então este ainda não era o artigo original?! -----! Bem, pelo menos dá para verem como a informação nos chega aqui a nós, diabéticos de Portugal. Embora, normalmente, seja através do médico que nos acompanha... que deve ler o original, ou não? Vou ver se deito a mão ao dito! Provavelmente, nunca o hei-de ver, mas...

[2] Do artigo que citamos: “erythropoietin is just part of the molecular conspiracy that destroys vision in the diabetic eye. “